quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Adeus Mestre Niemeyer


Ontem foi um dia triste para a arquitetura, perdemos um dos nossos grandes mestres: Oscar Niemeyer. No post de hoje vou falar um pouco sobre ele, mas não sobre sua biografia, obras, idade e prêmios, vou falar sobre o Niemeyer que conheci como estudante de arquitetura e urbanismo e sobre o que aprendi com ele.

Quando eu entrei na faculdade era fato que não conhecia muitos arquitetos, então toda vez que um professor nos pedia pra dizer o nome de algum arquiteto, urbanista ou paisagista conhecido eu e os outros 99% da turma tínhamos o nome de Niemeyer na ponta da língua. Apesar de não conhecer muito sua obra eu sabia que ele estava envolvido no projeto de Brasília e em muitas outras obras pelo Brasil afora.

Durante a graduação tive a oportunidade de visitar muitos lugares e conhecer pessoalmente a sua obra. Em Belo Horizonte me encantou a Pampulha! Todo o conjunto me deixou fascinada, principalmente a igreja, quantas curvas! Depois de muito namorá-la pelas fotos dos livros eu finalmente estava entrando naquela edificação e observando minuciosamente cada detalhe, fui embora dizendo que faria meu casório ali.

Vista da Igreja da Pampulha - Belo Horizonte/MG




Em São Paulo fiquei boquiaberta com o Memorial da América Latina, a escala do projeto era algo que eu nunca tinha visto. Era uma estrutura gigantesca para a cultura e o lazer e tudo com as características dele, que eu já havia aprendido a notar: o concreto armado, as curvas, o grande vão livre...

Memorial da América Latina - São Paulo/SP






Quando fui a Curitiba estava muito ansiosa para conhecer o Museu Oscar Niemeyer, que chamávamos de “O Olho” e foi mesmo emocionante estar mais uma vez diante de suas obras. Naquela altura eu começava a questionar se edificações tão grandes eram necessárias, pois a escala monumental não era elaborada para nós pedestres, mas era olhar aquilo tudo a minha volta e o peito se enchia de admiração. Grande Nini *!!

Museu Oscar Niemeyer - Curitiba/PR



Posando ao lado de uma foto do Niemeyer que havia no museu


Mas foi em Niterói que aprendi uma grande lição com o mestre: a sensibilidade. Não é possível visitar o MAC e não admirar a sensibilidade do conjunto, a forma como o prédio se insere na paisagem. Já ouvi comentários bobos do tipo “parece uma nave espacial”, mas aqui não é o prédio a grande estrela e sim a sua implantação cuidadosamente planejada, inspirada em cada visada do mar e das montanhas. A rampa curva é só um detalhe, bonita mesmo é a vista do mar através das janelas que tomam toda a fachada, é o espaço destinado às obras de arte. No MAC eu senti a arquitetura e entendi a importância e a diferença de se projetar com critério e com sentimento.

Museu de Arte Contemporânea - Niterói/RJ





Claro, aprendi muitas outras lições com o mestre, mas elas podem ser temas pra outros posts. Eu queria registrar hoje é esse aperto no coração em saber que o gênio não está mais atrás da prancheta fazendo seus belos croquis e que daqui pra frente não haverá outra “grande obra de Oscar Niemeyer” em construção. Mas isso não é o que realmente importa, o importante são as lições que ele deixou, sejam elas arquitetura ou poesia.



Adeus Mestre! Obrigada pelos ensinamentos.




*Fato que não faltavam apelidos carinhosos. 

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